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Nélson Monte acaba de, finalmente, chegar a Portugal, depois do terror vivido na Ucrânia.

Foi já com o filho ao colo que Nélson Monte falou à imprensa portuguesa e relatou os vários momentos de autêntico horror que viveu e os vários bombardeamentos que viu, imagens que Jamais vão sair da sua cabeça.

Foi muito difícil chegar aqui, foram dois, três dias muito complicados, mas agora o sentimento é desfrutar com os miúdos e a mulher. O que fiz foi obter o máximo de informação e meter-me à estrada para sair o mais rápido possível. A situação está muito feia lá e só queria sair do pais. Obrigado a quem me ajudou, o Estado, a Embaixada, o Sindicato e a FPF, a Câmara de Vila do Conde… várias pessoas ajudaram-me. Foi muito complicado, a partir do primeiro bombardeamento foi sentimento de medo, só hoje quando cheguei à Roménia aliviei a tensão”.

“Viagem para sair da Ucrânia? De loucos, quando acordei com o bombardeamento, nós, os estrangeiros do clube, fugimos para o centro de estágio. A informação que nos deram foi ir para Lviv. Enquanto estava em casa tinha ouvido duas bombas e quando estávamos no centro de estágio rebentou outra e escondemo-nos num bunker lá. Depois ficámos no hotel do nosso presidente, que era seguro, embora para mim não houvesse nenhum lugar seguro. Dormimos lá e às 6h fizemo-nos à estrada para ir para a Polónia. Conduzi durante quase 25 horas, havia estradas cortadas, tínhamos de andar por estradas secundárias, muitas delas no meio do mato, horríveis, andávamos quase a 30 km/h, para quem está em fuga é um desespero. A meio do caminho recebemos a informação que Lviv estava ser evacuada e alterámos a rota para a Roménia. Passámos por check-points para revistas de carros. Era um momento de tensão enorme, armas por todo o lado. Recordo quando acordei no hotel, abro a cortina e tinha um tanque em frente ao hotel.”

“Nunca me passou pela cabeça não chegar a Portugal. Não sabia era como ia chegar. Ainda hoje foi complicado passar a fronteira, pois quando chego de carro era uma fila inacreditável. Além das estradas fracas, havia o trânsito, era uma fila incrível. Deixei o carro a 10 km da fronteira e fiz o resto a pé. Mas na fronteira só deixavam sair mulheres e crianças, e não davam justificação para os estrangeiros ficarem. Foram os piores momentos que assisti…

Sobre os colegas do Dnipro, Monte fala em “desespero”.

Dnipro é capaz de ser das cidades mais seguras. Mas nunca se sabe, eles estão dispostos a ir para a guerra, só houve um colega meu que fugiu para o mesmo hotel e ofereci-lhe Portugal para a mulher dele mas o desespero deles é incrível. Estavam a fugir mas sem saber para onde…”

Sobre o futebol, isso está no naturalmente no segundo plano: “Não sei se vai haver futebol tão cedo na Ucrânia. Agora vou pensar no que será o meu futuro. A minha preocupação neste momento é saber o que vai acontecer à minha carreira mas quero aproveitar a minha família agora. Acompanhamento psicológico? Estou bem, vi muita coisa que me vai marcar para o resto da vida. Quando as bombas explodiram no apartamento, corri para apanhar o carro e vi muitas famílias. Na fronteira fiquei quatro horas para passar e outros, ucranianos, também ficavam horas e não puderam sair. Eles ficaram e os filhos e as mulheres passavam as fronteiras.”

 

 

 

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